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Exclusivo: Dossiê revela conta no Twitter usada pelo cérebro do gabinete do ódio. Por Pedro Zambarda
No dia 3 de maio de 2020, o Diário do Centro do Mundo recebeu por quatro diferentes fontes anônimas cópia de um documento de 115 páginas. Outra cópia foi encaminhado à CPMI das Fake News. O material traça a relação entre milicianos digitais e os filhos de Jair Bolsonaro, o que provaria o envolvimento direto destes com o chamado “gabinete do ódio”.

Um dos anexos, já publicado pelo DCM, exibe três fotografias de integrantes desse esquema com Eduardo Bolsonaro e o registro de um podcast com Carlos Bolsonaro. Fora isso, há detalhes sobre os veículos de comunicação que publicam fake news e as formas de financiamento dos milicianos.
Os integrantes do suposto esquema tentaram desqualificar a parte do material que já se tornou público, mas de uma forma que chamou atenção. No Twitter, Eduardo, o filho 03 do presidente, escreveu o seguinte:
“Dos mesmos produtores de GPS ideológico da Fôia [Folha de S.Paulo], black list do Estadão e blogueiros de crachá+competentes que Felipe Moura Brasil [reportagem da revista Crusoé], vem aí:a teia do Gabinete do Ódio. Quando olhei pela primeira vez, achei que fosse meme. Como um ser leva isso a sério? E o cara que fez isso, tão mongolão, esqueceu vários nomes”.
Em vez de desmentir a reportagem do DCM, Eduardo Bolsonaro resolveu tentar desqualificar o autor, chamando-o de “mongolão”. E completou, afirmando que o jornalista “esqueceu vários nomes” no esquema. Ou seja, as informações apuradas procedem.

E o deputado afirmou corretamente que faltam informações. O documento elaborado para a CPMI detalha mais elementos que merecem investigação.

Um deles é a influência de um perfil anônimo na atuação de um deputado em uma das sessões na Câmara. Ele estabelece a relação entre a conta “Let’s Dex” —  e o deputado federal Filipe Barros (PSL-PR) para um ataque direto contra Alexandre Frota.

Let’s Dex pode significar “Vamos para a direita”, numa expressão que mistura inglês e grego.
Quem é Let’s Dex?

Ao longo das 115 páginas do relatório, Let’s Dex aparece como a conta mais importante da rede de milicianos digitais no Twitter. Utiliza um avatar com uma imagem do ator Keanu Reeves e distribui ataques na rede social. Atualmente, com mais de mil mortes diárias na pandemia de coronavírus, faz campanha pela defesa do uso da cloroquina, que não tem eficácia comprovada contra a doença.

Mas ainda não se sabe quem é o ser de carne e osso por trás dessa conta. É o novo Pavão Misterioso, só que com vocação para a articulação política.

Dex desaparece do Twitter ocasionalmente. Por exemplo, parou de postar no dia 6 de maio, logo após a primeira publicação do DCM, e retornou no dia 22. Retornou para a rede com um discurso pró-armas e atacando o ex-ministro Sérgio Moro. Em seguida, passou a defender a cloroquina, mencionando outros membros da milícia.

A primeira reportagem do DCM apontou Dex como divulgador próximo da loja Wimperium.store, o sistema Speakup.top, a Radioup.top, Shockwaveradio.com.br e o site Desalarmista.com. A loja está associada ao militante Luiz Paulo Romanini, próximo de Evandro Pontes, da Rádio Shockwave. A identidade de Let’s Dex é aparentemente conhecida por Evandro e pelo dono do site Terça Livre, o olavista Allan dos Santos.

No dia 2 de fevereiro de 2020, Dex postou a seguinte thread (sequência de mensagens) no Twitter:
“Você usa a força do seu inimigo contra ele. É um princípio básico de diversas artes marciais. Se estamos presenciando um estado se contorcendo pra manter os seus longe da prisão e punir quem tenta prendê-los, como que temos conseguido deixar com que… tentem nos prender? A Lei 13.869 foi aprovada em setembro de 2019. É a absurda lei do ‘abuso de autoridade’. Aqui ela fala quem pode ser o autor do crime; destaque para ‘membros do poder legislativo’, ok? Tem cerca de 40 situações em que eles passam a punir, mas eu quero destacar essas três aqui.
Você possivelmente já entendeu aonde eu quero chegar, mas eu vou seguir desenhando. A situação tá familiar? Lembra de algo recente que se enquadra aí? Sim, é o encaixe perfeito. Significa que quem deu início a esse requerimento se enquadra em três condutas da lei de abuso de autoridade – a lei que fizeram pra se safar mas pode ser usada para o contrário. Mágico, né? Possivelmente todos que aprovaram esse pedido também se enquadram Até o relator que é responsável pelo julgamento e já deu esse tipo de opinião em rede social, antecipando sua inclinação julgadora: E sabe a punição para esse caso, segundo a lei anti abuso?”.

Dex então complementou os tuítes, direcionando para um deputado após falar sobre a possibilidade de perda de mandato:

“Isso mesmo, Frota. Temos uns 4 deputados da base do governo nessa CPI, cada um tendo 25 assessores. Essas cem pessoas precisam que eu mastigue mais alguma coisa ou tá bom assim? Quando vocês vão sair da porra das cordas e aprender a acuar os caras com as armas deles? ‘Ahn mas nós somos poucos’. Meu amigo, o PSOL com 10 deputados paralisa qualquer coisa no meio de 500. O PT tinha 3 senadores no impeachment da Dilma e encheu o saco. Vocês com 4 numa CPI era pra pintar e bordar. Obstruir, adiar, enrolar, judicializar, qualquer coisa. Vão acordar não? Vocês precisam da internet. O Carlos descobriu isso há dez anos e elegeu um presidente. Se vocês não defenderem isso, vocês tão fora. Se vocês não aniquilarem os seus inimigos com as armas deles, vocês vão perder. Reajam, arrombados”.

O que Dex quis dizer, numa sequência de 12 mensagens, é que a Lei 13.869, conhecida como “Lei de Abuso de Autoridade”, poderia ser utilizada para enquadrar membros da própria CPMI das Fake News. O perfil anônimo elenca três casos para tentar punir membros do Poder Legislativo: requisitar investigação sem indício de prática de crime, proceder à persecução penal sem justa causa e antecipar culpa por rede social.

Na mesma sequência de mensagens, Dex dá a entender que o relator da CPMI, o senador Ângelo Coronel do PSD, e o deputado federal Alexandre Frota do PSDB podem ser enquadrados nesses delitos por postagens no Twitter. E enfatiza que ambos podem perder o cargo político, ficando inabilitados por um período de até cinco anos.

O tempo de prisão, dentro da lei, varia de um, até seis anos em regime fechado.
Let’s Dex reclama que os quatro deputados bolsonaristas do PSL na CPMI não seguem as orientações da milícia na internet.
O Carlos descobriu isso há dez anos e elegeu um presidente”,
complementa.
Oito dias depois, um deputado seguiu suas instruções.

Fonte:  DOSSIE
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/exclusivo-dossie-revela-conta-no-twitter-usada-pelo-cerebro-do-gabinete-do-odio-por-pedro-zambarda/





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