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Jesus Cristo não vai passar

Jesus Cristo não vai passar
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                                                                            Cosme Castor
Muita gente vive a esperar que Jesus Cristo venha (de novo?) ou mande alguém para socorrer o povo e protegê-lo de tanta miséria, de tanta maldade e de tanta exploração do irmão, que tem causado muito sofrimento às pessoas, no Brasil e por todo o mundo.

Isso acontece, inclusive, em grupos com pessoas de “boa” formação religiosa.

Certa vez, num Encontro de Jovens da Igreja Católica, na Arquidiocese de Feira de Santana, Estado da Bahia, promovido pelo TLC – Treinamento de Liderança Cristã, um movimento que visa à formação cristã para a juventude, onde o jovem evangeliza o outro jovem, aconteceu um fato interessante.

Como o jovem gosta muito de músicas animadas, esse é um dos pontos altos do Encontro. Num desses momentos, um grupo, formado por mais de 70 jovens, cantava animadamente:

“Quando Jesus passar / Quando Jesus passar / Quando Jesus passar / Eu quero estar no meu lugar”.

Esse era o refrão, repetido sempre com muita animação, em voz alta e com sorrisos que demonstravam a alegria de estar ali, participando daquele Encontro com o Cristo e com os irmãos.

Mas participava desse momento, também, o Frei Félix de Pacatuba, (falecido) um dos Diretores Espirituais desse Encontro, primeiro homem de Igreja que realmente se preocupou e fez algo pela juventude cristã de Feira de Santana, criando, inicialmente, a Congregação Mariana (1962).

Então, com o vozeirão que lhe era peculiar, lá do fundo da sala, Frei Félix começou a cantar e todos pararam para ouvir. Ele cantava assim:

“Jesus Cristo não vai passar / Jesus Cristo não vai passar / Jesus Cristo não vai passar / Por quê? / Ele está dentro do seu coração”.

Passado o “susto”, Frei Félix fez um breve comentário, e a turma o acompanhou, com muita animação, entoando também essa parte nova da canção, que aprendera naquele momento.

Uma grande lição, que deve ser divulgada para todos os que ficam questionando a Deus, a Jesus e, às vezes, a Nossa Senhora e a outros santos, sobre esse caos que tomou conta da cidade de Feira de Santana, da Bahia, do Brasil e de todo o mundo, o que se agravou com a chegada dessa pandemia, causada pelo corona vírus.

Nesse questionamento impensado, há quem diga até que foi Deus que mandou “alguém”, ou seja, mandou esse vírus, para castigar as pessoas. Pensamento justificável, na ânsia que as pessoas sentem, ao tentar buscar uma explicação imediata e plausível para essa questão.

Assim, é mais cômodo. Jogam a culpa em Deus, que deu a liberdade de ser, “do jeito que a gente gosta”. Até, rezam o Pai Nosso, concordando com Jesus Cristo, - “seja feita a Vossa vontade” - contanto que essa vontade do Pai coincida com os seus anseios.

As pessoas devem lembrar que Deus não vai mandar ninguém. Ele já mandou o próprio Filho, Jesus Cristo, que está presente, no dia a dia de todas as pessoas.

O problema é que, geralmente, essas pessoas ouvem as palavras de Jesus e não as colocam em prática. Estão sendo insensatas. Estão construindo as suas casas sobre a areia. Quando vêm a chuva, as enchentes, os ventos, dentre outros, derrubam suas casas, causando sérios problemas para as suas vidas (Cf. Mt 7,27).

O homem precisa assumir a sua responsabilidade e se conscientizar de que ele mesmo atraiu essa pandemia, como eu falei em um texto publicado anteriormente:

“A matéria prima da atração é a maldade incrustrada no coração do homem. Esses “donos” do poder fazem as leis para facilitar a convivência social, obrigam a cada pessoa do povo a cumprir, mas não as cumprem”.

Conforme o Evangelho de Mateus (23,3), dessa mesma forma também acontecia, na época em que Jesus viveu em nosso meio.

Hoje, os desmatamentos; as queimadas, nas matas; o óleo derramado nas praias do Nordeste Brasileiro; o regime escravocrata de trabalho; a indiferença, diante do sofrimento das famílias de pequeno ou quase nenhum poder aquisitivo; dentre outras; todas essas más ações praticadas pelo homem, contra seus irmãos e contra a natureza, trouxeram essa pandemia.”

O homem precisa é de voltar-se para o Evangelho que o Cristo deixou para todos.

Então, fica bem claro que Jesus Cristo não vai mandar ninguém para acalmar e para trazer a paz para o homem. Ele já veio. Continua presente, através do Espírito Santo, que Ele mesmo enviou (Cf. Jo 16,7), para ser o orientador, o defensor, o advogado de todas as pessoas.

Portanto, não há razão para ficar esperando por alguém que já veio, já chegou e já está presente.

Faz-se necessário, sim, modificar os hábitos; cada um deve voltar-se mais para o outro, especialmente, para os que estão perto, como também, para os que estão longe.

Faz-se necessário, também, edificar a própria casa sobre a rocha (Cf. Mt 7,24-25). Então, poderá vir qualquer tempestade, qualquer pandemia e se continuará firme, vencendo todas as atribulações que venham a se apresentar.

Finalmente, o homem deve se esforçar para perceber a presença constante de Jesus Cristo, desde ontem, por todo o dia de hoje e por todos os dias de sua vida. Tudo isso, com um importante detalhe: - fazendo sempre o que Jesus disser (Jo 2,5), como sua Mãe Maria aconselhou. Por tudo isso: “Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça e tudo o mais vos será dado”. (Mt 7,33)

Referência:

Bíblia Sagrada Ave Maria – Edição de Estudos. 5ª edição. 2015. Edição Claretiana. Editora Ave Maria. São Paulo. Haroldo J. Rahm, s. j. Treinamento de Liderança Cristã: mini-TLC, TLC e amor exigente. Edições Loyola. São Paulo. SP. Brasil. 1998. 




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