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CRISTO MANDE ALGUÉM

CRISTO MANDE ALGUÉM


Foto: Arquivo pessoal
Cosme Castor de Cerqueira é Mestre em Educação (USAL / Buenos Aires / Argentina - 2016). Graduado em: I. Licenciatura Plena em Letras e Bacharelado em Administração (UEFS - 1972 e 1979); II. Pedagogia/Administração Escolar (UFBA/PREMEN - 1974); III. Teologia Catequética (ICRLC/Arquidiocese de São Salvador – 2003). Especializações: I. Administração de Projetos (EBAP/FGV/SUDENE e. SEPLANTEC/BA - 1984); II. Elaboração e Análise de Projetos (CEDAP/SEPLANTEC/BA - 1986);



Há alguns anos, na maioria das Igrejas Cristãs, se cantava a música “Cristo, mande alguém”. Nessa música, pediam a Cristo que mandasse alguém para ajudar a humanidade a reencontrar o caminho.
A música fala em drogas, guerras, crianças abandonadas e conflitos familiares. Ainda não existiam os males da internet; o distanciamento das pessoas; o desamor, preferindo relacionamentos virtuais aos reais; o bullying cibernético ou o ciber bullying, etc. Sem falar na degradação da família, na desvalorização dos idosos, na banalização da violência e na indiferença, em relação a dor do irmão.
De repente, no meio desse furacão, surge um vírus, algo, a princípio, nocivo, ameaçador e mortal. Um mal invisível que literalmente parou o mundo e enclausurou as pessoas em casa, com medo, no famoso isolamento social.
Bares, shoppings, cinemas, feiras livres e o comércio em geral, todos fechados. Com isso, o distanciamento social que antes era uma opção, passou a ser obrigatório e não abraçar ou beijar seus familiares e amigos passou a ser uma obrigação e uma expressão de cuidado e de amor.
Os membros das famílias foram “obrigados” a passar mais tempo juntos.
Pais, que nunca haviam brincado com seus filhos, redescobriram como é bom ser criança. Casais, que praticamente não se viam, foram “obrigados” a conviver 24 horas juntos e puderam se conhecer melhor.
E a máscara, que era usada apenas pelos profissionais de saúde, passou a ser item obrigatório na vestimenta de todos, numa forma de cuidar do outro. Sim, do outro! O “nefasto” vírus nos dá a oportunidade de seguir o maior de todos os mandamentos: amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei.
A máscara nos permite proteger o irmão, mesmo sem saber quem é ele, mesmo que ele não esteja usando máscara para nos proteger, ou seja, um amor altruísta, do jeito que Jesus nos ensinou, que não se importa se vai ou não ser retribuído.
Então... Será que esse vírus é O ALGUÉM?” 

Por Clemo Castor

MINHA RESPOSTA:

Buscai em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça e tudo o mais vos será dado. (Mt 7,33).
Realmente, estamos vivendo um momento especial da história da humanidade. Por todo o mundo, sentimos o reflexo dessa pandemia, que causou todos os problemas de que temos conhecimento, inclusive, os que eram cantados na música “Cristo, mande alguém”, conforme sua observação.
No entanto, sabe-se, também, que o mundo vive muitos outros problemas, causados pelo afastamento dos caminhos que Jesus Cristo mostrou a todas as pessoas, de todas as partes do mundo.
Vemos hoje o desrespeito, o ódio, a violência, o desamor, a imperar e a comandar a vida das pessoas. A mentira, apelidada pelo termo em inglês, o fake news, é um dos instrumentos que mais fere as pessoas e as desviam dos seus caminhos, atualmente.
Mentiras, falsidades, hostilidades e perseguições são fatores que marcaram a vida das pessoas, também, mesmo antes do tempo em que Jesus Cristo esteve aqui na terra, registrado na Bíblia, lá no Antigo Testamento.
Nessa fase da história, os Profetas se empenhavam para alertar o povo e, assim, fazê-lo voltar para os caminhos de Deus.
Mas as ilusões e a falsa liberdade que o mundo oferecia deixavam o povo atordoado e iludido. Mágoas, rancor e ódio, facilmente, dominavam seu coração.
Sempre tirando proveito da situação, os governantes queriam apenas que o povo continuasse a produzir para manter em alta o crescimento das suas riquezas.
O povo era compensado, apenas, com o necessário para manter-se vivo e produtivo.
Hoje, a história se repete. Vemos os líderes governantes da nossa pátria a desviar o povo dos seus verdadeiros problemas.
O mais triste de tudo isso é que uma grande parte de líderes de diversas religiões apoiam e incitam o povo a viver esse mundo de mentiras e de violência, onde a vítima é o próprio povo.
          A esses líderes religiosos, falsos profetas, a Bíblia denuncia, em muitos trechos do Antigo e do novo Testamento, como destacamos em alguns destes momentos:

“Ai dos pastores que deixam perder-se e dispersar-se o rebanho miúdo de minha pastagem!” (Jr 23,1).
“Ai dos profetas insensatos que seguem sua própria inspiração.” (Ez 13,3).
“Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores.” (Mt 7,15). 
“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Sois semelhantes aos sepulcros caiados: por fora parecem formosos, mas por dentro estão cheios de ossos, de cadáveres e de toda espécie de podridão.” (Mt 23,27). 
A violência contra a mulher, contra o negro, contra o povo pobre; a desobediência às leis; a incitação das pessoas contra os cuidados e recomendações necessárias ao combate a essa pandemia do covid; tudo isso está sempre na ordem do dia.
A mensagem do Evangelho de Jesus Cristo vai contra todas essas coisas que vêm acontecendo na vida do brasileiro e na vida das pessoas, por todo o mundo, especialmente nos campos social e político e, como vimos, até no religioso.
Mesmo vivendo essa situação e vivendo essas dificuldades, o brasileiro precisa tomar suas decisões. Deve imitar a Jesus, que veio ao mundo, enviado por Deus, como um homem do povo, pobre e humilde. E veio com a missão de libertar o povo de Deus da opressão e da escravidão.
Aqui, cumpriu sua missão e nos enviou para que o imitássemos, realizando a nossa missão do mesmo jeito que Ele realizou a Dele, em defesa e benefício do povo, conforme a vontade do Pai.
Diante dessa atitude de Jesus, de lutar pelo povo por toda a sua vida, não acredito “que esse vírus é O ALGUÉM”.
Sua ação maligna foi atraída, justamente, por essa gente que assume lideranças política e/ou religiosa, para defender interesses de grupos, sacrificando a vida do povo e negando todos os ensinamentos de Jesus Cristo.
A matéria prima da atração é a maldade incrustrada no coração do homem. Esses “donos” do poder fazem as leis para facilitar a convivência social, obrigam as pessoas do povo a cumprir, mas não as cumprem.
Conforme o Evangelho de Mateus (23,3), dessa mesma forma também acontecia, na época em que Jesus viveu em nosso meio.
Hoje, os desmatamentos; as queimadas, nas matas; o óleo derramado nas praias do Nordeste Brasileiro; o regime escravocrata de trabalho; a indiferença, diante do sofrimento das famílias de pequeno ou quase nenhum poder aquisitivo; dentre outras; todas essas más ações praticadas pelo homem, contra seus irmãos e contra a natureza, trouxeram essa pandemia.
Esse lado positivo que desperta “a oportunidade de seguir o maior de todos os mandamentos: amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei”, como foi citado acima, apenas acontece na mente daqueles que acreditam em Jesus Cristo, Filho de Deus Pai.
Os aproveitadores, que não acreditam em Jesus Cristo, vão continuar não acreditando e não amando aos irmãos, como Jesus amou.
Na verdade, vão querer sempre se aproveitar da bondade e do amor das pessoas, com ou sem pandemia. Tudo isto está sendo comprovado nos noticiários dos meios de comunicação, paralelo à divulgação dos dados sobre a pandemia.
Então, continuarão servindo ao “deus” do dinheiro e da exploração do irmão, em benefício próprio e de grupos usurpadores dos direitos do outro, dos direitos do irmão, por todo o mundo.
Tudo isso, cada um de nós pode testemunhar, de perto, aqui no Brasil, em cada um dos municípios, onde moramos.
A nossa esperança está na intercessão de Nossa Senhora, Padroeira do Brasil, e no amor do Seu Filho, Jesus Cristo, por nossa gente e por todas as gentes do mundo.
Afinal de contas, Deus é Brasileiro, também.

Fonte Referência:   Bilbia
Edição de Estudos. 5ª edição. 2015. Edição Claretiana. Editora Ave Maria. São Paulo.

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