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Feira de Santana seus “causos” e casos – Parte 2

 QUEM FOI O FUNDADOR DE FEIRA DE SANTANA

Eduardo Kruschewsky

Ao que se sabe, Feira nasceu bem antes do que alguns dizem. No século XVII, havia uma grande preocupação do governo de Portugal: A Colônia do Brasil, depois de passar pelo insucesso das Capitanias Hereditárias e da distribuição de terras no Governo Geral do Brasil, por Tomé de Souza, em 1548, iniciou o século seguinte com muitas terras devolutas dentro de latifúndios como as Casas da Torre, pertencente a Garcia D´Ávila e a Casa de Pedra, da família de Caramuru.

Estas terras precisavam ser colonizadas para gerar imposto para a Coroa. Assim, em 1615, a Região dos Tocós, onde nasceu Feira, foi repassada para gente como o Juiz da Câmara de Salvador, João Lobo de Mesquita, Miguel Ferreira Feio e outros. Feio aqui esteve e desistiu da doação, devolvendo seu quinhão à Coroa.

Este lote, uma das possessões foi, então, entregue ao comerciante português João Peixoto Viegas, como prêmio por este ter se tornado “cristão novo” (judeu convertido ao cristianismo). Ao conhecer o local, o português resolveu se estabelecer aqui e foi nomeado pela Igreja como “Familiar” (uma espécie de representante da Santa Inquisição) para a região. Posteriormente, o novo morador, após instalado na região de São José das Itapororocas, tratou de adquirir mais terras e comprou as que foram doadas ao Juiz João Lobo.

Em breve, a sede do latifúndio tornou-se um ponto de pernoite de tropeiros e vaqueiros e, em pouco tempo, formou-se um arruado. O proprietário foi conquistando novas terras e formou o “Morgado de São José das Itapororocas”. Com o falecimento do patriarca, a viúva voltou para Salvador deixando o patrimônio em poder dos filhos que o redistribuíram entre si, dando fim ao Morgado. A grande extensão de terras foi parcelada em diversas fazendas menores.

No que se refere à chegada de Veigas na região de Tocós, há uma versão publicada na Wikipédia, que afirma ter João Peixoto aqui desembarcou em 1640. Parece-nos uma afirmativa sem embasamento. O historiador Mons. Renato Andrade Galvão em seu trabalho “Os Povoadores da Região de Feira de Santana” cita, uma Carta de concessão de quatro léguas em quadra na serra chamada Itapororocas no campo de Caxoeira” (sic) em favor de Miguel Ferreira Feio, em 1615, e outra, 1619, concessão em favor de João Peixoto Viegas.

Esta versão de que Viegas aqui chegou em 1640 pode ser desmentida pelo fato de que Viegas solicitou e conseguiu uma documentação renovada, em 1655, alegando extravio durante a Invasão Holandesa que ocorreu a partir de 1624, na Bahia. Convenhamos que os holandeses permaneceram na Bahia no período de maio de 1624 a maio de 1625...

Já no século XVIII, cerca de sessenta anos depois da divisão de terras entre os herdeiros, atraído por informações de terras férteis e baratas na Região dos Tocós, um comerciante de Cachoeira, chamado Domingos Barbosa de Araújo veio conhecer a região é adquiriu uma área de terras de João Peixoto Viegas Neto. Aqui instalou a “Fazenda Santana dos Olhos D´Água”, onde passou a morar. Com a fartura de água, o imóvel, localizado no cruzamento de estradas de boiada, virou pouso de viajantes, sendo feitos grandes currais para abrigar o gado que ali pernoitava.

Sem filhos, o casal foi permitindo que algumas pessoas ali ficassem morando e comércios foram sendo abertos, criando-se uma grande feira que, naquela época, primeiras décadas de 1700, chegou a ter a frequência de cerca de 4.000 pessoas! Muito católicos, Domingos e Ana, no ano de 1732, doaram, na forma de usufruto, parte das terras (cem braças) para a Capela de Sant´Ana e São Domingos e, em 1735, o restante da fazenda, formando-se o “Encapelado de Sant´Ana dos Olhos D´ Água”.

O falecimento do casal causou uma grande polêmica já que a doação foi apenas apalavrada e quando os religiosos quiseram tomar posse do patrimônio, cumprido o usufruto, foram impedidos pelo Estado.  A querela durou um século e somente, em 1848, por sentença judicial, é que tudo passou para a propriedade da União.

Novas perguntas:

Quem foi o fundador de Feira de Santana:?

a) Viegas, que fez surgir a Vila de São José, primeiro sinal de vida do Munícipio de Feira de Santana?

b) Ou Domingos Barbosa de Araújo que cerca de um século depois adquiriu uma fazenda oriunda do Morgado de São José, surgindo a sede do município?

c) Ou podemos dizer que João Peixoto é o precursor do Município e Domingos Barbosa o da Cidade?

Pensam que acabou? Esperem o desfecho final 

Por EDUARDO KRUSCHEWSKY – poeta, escritor e jornalista (DRT 2141). Ex-presidente da Academia Feirense de Letras e seu atual vice-presidente, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Feira de Santana.


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